Novo passo para normalizar relações

EUA retiram Cuba <br> da «lista negra»

Os EUA decidiram, a 29 de Maio, retirar Cuba da lista de países que classificam de «promotores do terrorismo». A decisão entrou imediatamente em vigor.

Cuba foi vítima de centenas de actos terroristas por parte dos EUA

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O anúncio foi feito no próprio dia em que expirou o prazo de que o Congresso dispunha para se pronunciar sobre o assunto. «O prazo de 45 dias de notificação ao Congresso expirou e o secretário de Estado tomou a decisão final de eliminar a designação de Cuba como Estado Promotor do Terrorismo, que se torna efectiva hoje, 29 de Maio», lê-se na nota oficial divulgada pelo porta-voz do Departamento de Estado, Jeff Rathke.

O documento refere ainda que os Estados Unidos mantêm preocupações e divergências significativas com Havana, mas reconhecem que isso não se enquadra nos critérios para manter a designação que vigorava desde 1982.

A decisão tem de ser publicada no Federal Register, o diário oficial norte-americano, mas os serviços diplomáticos já asseguraram que entrava imediatamente em vigor.

Foram precisos 33 anos para Washington reconhecer não haver motivos para a inclusão de Cuba na «lista negra» que unilateralmente os EUA elaboram. O que ainda está por reconhecer são as provocações organizadas pelos serviços secretos norte-americanos contra Cuba.

As autoridades cubanas, reagindo à decisão da Casa Branca, que consideram justa, não deixaram de recordar que o seu país foi vítima de centenas de actos terroristas por parte dos EUA, que custaram a vida a 3478 pessoas e incapacitaram 2099. Havana aproveitou a ocasião para reiterar a sua posição de repúdio e condenação dos actos terroristas em todas as suas formas e manifestações, bem como qualquer acção que vise incentivar, apoiar, financiar ou encobrir actividades desse tipo.

Desde o início das conversações bilaterais que as autoridades cubanas fizeram sentir a importância da retirada do seu país da lista de alegados apoiantes do terrorismo, embora sem fazer disso um pré requisito para o diálogo com os EUA.

Não deixa no entanto de ser sintomático que o Congresso tenha sido obrigado a reconhecer, já em Abril, não lhe restar outra alternativa. «Não podemos deixar de o fazer», como disse a congressista republicana Ileana Ros-Lehtinen, defensora acérrima da política anticubana em Washington, em entrevista ao Foreign Policy, admitindo implicitamente não dispor de apoio social para continuar a apresentar Cuba como apoiante do terrorismo. Isso mesmo revelou uma sondagem divulgada a 24 de Abril pela CNN/ORC, segundo a qual 59 por cento dos norte-americanos apoia a retirada de Cuba da famigerada «lista negra».

A medida é vista como mais um passo na normalização das relações entre os dois países, que continua no entanto dependente do fim do bloqueio imposto pelos EUA a Cuba há mais de meio século.




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